Alfabetização e Letramento

👩‍🏫 Professora conteudista

Virgínia Batista

Olá, serei sua guia hoje durante essa aula!

Sou graduada em Letras pela FAFIDIA (Diamantina), tenho especialização em Línguística aplicada ao ensino do português pela UNIMONTES (Montes Claros) e Mestrado em Educação pela UFVJM (Diamantina).
Lattes

👨‍💻 Designer Educacional | Bruno Vieira


Bem-vindos professoras e professores! ✨

Vamos nessa experiência formativa abordar a Alfabetização e Letramento no contexto de recomposição. Este módulo irá guiá-lo através de uma jornada de compreensão sobre como a pandemia de COVID-19 afetou significativamente o processo educacional, e quais medidas estão sendo adotadas para recuperar e reforçar a aprendizagem em leitura e escrita. Além disso, vamos relembrar alguns conceitos e refletir sobre algumas questões.

Vamos nessa?

Alfabetização e Letramento: Desafios e Respostas no Contexto Pós-Pandemia

Em 2020, o mundo enfrentou um desafio sem precedentes com a chegada da pandemia de COVID-19, que afetou severamente diversos setores, incluindo a educação. Segundo a UNICEF em 2021, estima-se que mais de 5,5 milhões de crianças e adolescentes tiveram seu direito à educação negado, um reflexo direto das dificuldades impostas pelo contexto pandêmico. As desigualdades já existentes foram ampliadas, pois nem sempre as crianças e jovens tinham acesso a equipamentos tecnológicos essenciais como celulares, computadores e internet, tornando o cenário ainda mais desafiador (Gestrado/CNTE, 2020, 2021, p.23).

Além das barreiras tecnológicas, houve uma piora do trabalho docente e um aumento do adoecimento entre os professores (GESTRADO/CNTE, 2020).

Com a pandemia, as condições de trabalho só pioraram porque o professor ou a professora teve que trabalhar por conta própria, utilizar os seus recursos e equipamentos e sua própria casa para dar aula
— coordenadoras das escolas pesquisadas do estudo de Gestrado (2020)

Observa-se que nos últimos anos, crianças e jovens têm apresentado uma defasagem significativa em leitura e escrita. A pandemia impactou fortemente a Educação pública brasileira, com professores de várias partes do Brasil ainda enfrentando desafios no campo da alfabetização e letramento, conforme estudos do CNTE (2020/2021).

A Situação Atual da Alfabetização e as Políticas de Intervenção

No cenário atual, as consequências da pandemia continuam a ser sentidas. Crianças dos anos iniciais do ensino fundamental apresentaram uma defasagem nas aprendizagens em alfabetização e letramento, impactando significativamente o processo de aprendizagem. Segundo a pesquisa Alfabetiza Brasil, realizada pelo Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em abril de 2023, apenas 43% das crianças do 2º ano do Ensino Fundamental estavam alfabetizadas em 2021 – uma queda significativa em relação a 2019, quando mais de 60% das crianças eram consideradas alfabetizadas.

Diante dessa realidade, foi instituída a política "Compromisso Nacional Criança Alfabetizada" pelo Decreto nº 11.556/2023, em 12 de junho de 2023. Essa política visa garantir o direito de aprender a ler e escrever, configurando-se como um avanço significativo em relação às políticas anteriores. O objetivo geral da política é alfabetizar 100% das crianças brasileiras até o final do 2° ano do Ensino Fundamental e promover a recomposição de aprendizagens daquelas matriculadas no 3º, 4º e 5º anos, que tiveram seu processo de alfabetização impactado pela pandemia.

É uma política essencial e traz um avanço enorme em relação à política passada no que diz respeito a princípios, metodologias, conceitos e práticas. É uma política construída de forma sistêmica o que, em tese, é o que precisamos para que cada escola possa criar as condições necessárias para que seus estudantes avancem na alfabetização.
— Patrícia Diaz, diretora executiva na Comunidade Educativa CEDAC

A Importância da Alfabetização nos Anos Iniciais Segundo a BNCC

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018), os dois primeiros anos do Ensino Fundamental são cruciais para a alfabetização. A BNCC enfatiza que a ação pedagógica durante este período deve focar na alfabetização, "a fim de garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas diversificadas de letramentos" (BNCC, 2018, p.57). Este enfoque não apenas busca a assimilação do sistema alfabético, mas também a integração deste aprendizado com um amplo espectro de habilidades literárias e práticas sociais de leitura e escrita, preparando os alunos para um envolvimento mais profundo e significativo com o mundo letrado.

Reflexões Sobre a Eficiência das Políticas de Alfabetização: O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada

O documento "Compromisso Nacional Criança Alfabetizada" (MEC, 2023) representa um avanço significativo em termos de política educacional, focando especificamente nos anos iniciais da educação fundamental. O documento destaca uma série de indicadores que são essenciais para monitorar e avaliar as políticas de alfabetização no país. Entre esses indicadores, destacam-se a distorção idade-série e os resultados dos estudantes avaliados pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) em 2019 e 2021.

Estes dados são fundamentais para entender onde as intervenções são mais necessárias e como elas podem ser melhor direcionadas para atender às necessidades dos estudantes. A análise desses indicadores oferece uma oportunidade para uma reflexão profunda sobre as estratégias atuais de alfabetização e sobre como estas podem ser ajustadas para melhorar tanto a eficácia quanto a eficiência do ensino.


O que pretendemos ofertar?

A proposta de formação continuada dos profissionais de educação, alinhadas ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (MEC, 2023), tem como objetivo subsidiar ações concretas a fim de promover a alfabetização e letramento das crianças dos territórios dos arranjos de desenvolvimento educacional, por meio da orientação, acompanhamento das práticas pedagógicas dos professores, socializadas e experienciadas por meio de sequências didáticas no campo da alfabetização e letramento.

As intervenções pedagógicas serão planejadas a partir das avaliações diagnósticas realizadas no decorrer dos anos de 2024, 2025 e 2026, por meio da análise dos MAPAS (análise documental) para a identificação das habilidades que deverão ser sistematizadas e consolidadas, visando a recomposição das aprendizagens para a alfabetização e para o letramento dos estudantes. Entende-se por mapas o material de apoio pedagógico de aprendizagens. Seu objetivo é auxiliar os professores no desenvolvimento de suas aulas e consequentemente na qualidade da educação dos estudantes.

Dessa forma, o projeto intitulado Práticas pedagógicas em Alfabetização e Letramento nos municípios mineiros do Vales do Jequitinhonha (Alto, Médio e Baixo), Mucuri, Rio Doce, Alto Rio Pardo, Norte de Minas Gerais: em prol ao processo de recomposição das aprendizagens, tem como objetivo a formação continuada dos profissionais da educação desses territórios e a implementação de políticas públicas de alfabetização e letramento, voltadas para a recomposição das aprendizagens dos estudantes do 3º, 4º e 5º anos dos anos iniciais do ensino fundamental.

Então para começarmos, vamos visitar alguns conceitos essenciais para a área da alfabetização e letramento. Nesse primeiro momento formativo, vamos compreender os níveis de alfabetização e entender a importância do conceito do alfabetizar letrando. Vamos nessa?


Explorando conceitos importantes

Antes de mais nada, precisamos visitar alguns conceitos que são essenciais para nossa compreensão do processo de recomposição. Portanto, vamos aprofundar em definições e conceitos relacionados ao processo de Alfabetização e Letramento.

Vamos começar compreendendo os níveis de alfabetização.

Definições de alfabetização segundo o IBGE

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), classifica os níveis de alfabetização em várias categorias, refletindo a complexidade e os desafios enfrentados no processo educacional:

  • Aquele que não possui nenhuma habilidade de leitura e escrita.

  • Consegue realizar tarefas muito básicas como escrever o nome e fazer cálculos simples, mas não tem capacidade de interpretar textos mais complexos, o que limita significativamente suas oportunidades de desenvolvimento profissional.

  • Pessoas que podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já leem e compreendem textos de média extensão, localizam informações, mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, leem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações.

  • Pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais: leem textos mais longos, analisando e relacionando suas partes, comparam e avaliam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada, mapas e gráficos.

Após visitar os níveis de alfabetização conforme a classificação do IBGE, precisamos compreender de forma mais aprofundada a diferença entre alfabetização e letramento, dois conceitos centrais para a experiência de aprendizagem de hoje.

📚 Alfabetização e letramento: conceitos

A alfabetização é conceituada como o aprendizado ou ensino do sistema da escrita alfabética. Contrapondo-se a isso, o letramento é descrito como o uso efetivo desses conhecimentos linguísticos para participar ativamente das práticas sociais que envolvem leitura e escrita, elevando o indivíduo a um novo estado ou condição na sociedade
(SOARES, 2000).

A autora distingue claramente entre ser apenas alfabetizado, o que significa ter aprendido a ler e a escrever superficialmente, e ser letrado, estado alcançado por meio da apropriação plena da escrita e suas funcionalidades.

No contexto educacional, alfabetizar não apenas se refere a ensinar as crianças a dominar a tecnologia da escrita, mas também, e igualmente importante, letrar implica conduzir essas crianças a participar das práticas sociais de leitura e escrita. Uma criança considerada alfabetizada sabe ler e escrever; uma criança letrada vai além, desenvolvendo o hábito e prazer de ler e escrever diversos gêneros de textos, utilizando diferentes suportes, e em variados contextos e circunstâncias.

O processo de alfabetizar letrando envolve orientar a criança não só para aprender a ler e escrever, mas também para imergir em práticas reais de leitura e escrita, criando um ambiente onde essas habilidades podem ser desenvolvidas de forma integral e significativa.

Cagliari (1999) acrescenta que as propostas de alfabetização que valorizam a criança e seu desempenho criam um ambiente mais amigável e eficaz para o aprendizado. Ele enfatiza que a alfabetização deve ser centrada na leitura (decifração). Escrever é uma decorrência do conhecimento que se tem para ler. Portanto, o ponto principal do trabalho é ensinar o aluno a decifrar a escrita e, em seguida, aplicar esse conhecimento para produzir sua própria escrita.


💭 Para refletir

Como nós, educadores, podemos trabalhar o fortalecimento de ações para a recomposição das aprendizagens e enfrentar as desigualdades educacionais nos anos iniciais do ensino fundamental, em especial dos estudantes do 3º, 4º e 5º anos, nas escolas de educação básica?

  • Por que o aluno muitas vezes não compreende o que ele lê?

  • O que é a leitura?

  • Como construímos sentidos para os textos que lemos?

  • O que fazemos quando lemos um texto?

  • Que habilidades de leitura precisa ter um leitor para ser considerado um leitor competente?

  • É possível continuar ensinando a ler quem já se alfabetizou?

  •  Como ajudar o aluno a compreender bem os diversos textos que circulam na sociedade?

  •  Como identificar se o aluno sabe ler e compreender?


Agora vamos explorar o contexto da leitura, compreendo seus desdobramentos e aprofundamentos. Conhecer essas características da leitura nos ajuda a refletir em estratégias que podemos adotar com nossos estudantes ao longo do processo de ensino e aprendizagem.

Aprofundando na Leitura e sua importância

Atualmente já se sabe que a leitura é uma atividade complexa, em que o leitor produz sentidos a partir das relações que estabelece entre as informações do texto e seus conhecimentos. A leitura é considerada uma atividade cognitiva e social (KLEIMAN, 1993).

Como atividade cognitiva, pressupõe que, quando as pessoas lêem, estão executando uma série de operações mentais que vão além da decodificação e utilizam estratégias, algumas inconscientemente e outras conscientemente. Como atividade social, a leitura pressupõe a interação entre um escritor e um leitor, que estão distantes, mas que querem se comunicar.

📖 A leitura pode ser ensinada, isto é, podem ser ensinadas estratégias que ajudam o leitor a ler melhor.

🎯 A leitura pressupõe objetivos e necessidades que são determinados na interação: ler para quê, com que objetivos, para interagir com quem, por que motivo.

👩‍🏫 Existem formas para aumentar a competência em leitura ao longo da vida, isto é, que o ensino de leitura não é uma etapa pontual que se esgota na alfabetização.

A aprendizagem é um processo complexo que ocorre durante o desenvolvimento das pessoas, em diferentes etapas de sua vida, através de experiências, observação, estudo e raciocínio. Esse processo contínuo permite que o indivíduo seja protagonista em seu próprio ambiente e, constantemente, ressignifique seu conhecimento diante de novas informações e situações. Compreender a aprendizagem como um processo contínuo ajuda a reconhecer que cada interação com o mundo é uma oportunidade de aprender mais profundamente.

A cada segundo, temos contato com o inédito e precisamos ressignificar as coisas que já sabemos.
— ?

Você já se deu conta de quanto a leitura é importante em nossa vida? Pare um pouco para pensar em quantas ações podemos realizar porque sabemos ler os diversos textos escritos com que nos defrontamos em nosso dia-a-dia. As exigências da sociedade moderna têm apresentado para a escola o desafio de formar cada vez melhor seus alunos, têm exigido que a escola contribua efetivamente para aumentar o grau de letramento de seus alunos. Isto é, para torná-los cada vez mais capazes de usar a leitura e a escrita em suas práticas sociais e não somente em tarefas escolares.

Depois que exploramos sobre a leitura e sua importância, nosso próximo passo é explorar sobre textos e generos textuais. É fundamental considerarmos também a diversidade dos textos com os quais interagimos diariamente. Cada gênero textual requer diferentes habilidades de leitura e interpretação, refletindo a necessidade de adaptarmos nossas estratégias de leitura, conforme o contexto e o propósito do texto.

Vamos entender!


É preciso destacar que os textos cumprem um papel no jogo da interação comunicativa. Todo texto tem uma finalidade, tem objetivos determinados, circula num veículo ou suporte específico, atuando em diferentes esferas da comunicação humana.

Texto escrito

Do ponto de vista de sua organização linguística, podemos dizer que o texto escrito é um conjunto de instruções, porque ele é o ponto de contato entre escritor e leitor, é o material concreto que permite a quem escreve partilhar com quem lê: suas ideias, intenções, crenças e ideologias.

Nesse sentido, o texto escrito pode ser visto como um objeto que busca gerar uma resposta ou um efeito de sentido no leitor. Quem o escreve o faz para marcar uma posição, para realizar uma ação sobre o outro, como informar, surpreender, convencer, agradecer, entre outras.

Os enunciados ou as frases não são ajuntados caoticamente; pelo contrário, eles são ligados entre si de modo planejado e organizado para que o leitor possa ir construindo as relações sinalizadas.

Os elementos linguísticos que interligam enunciados entre si cumprindo o papel de sinalizar relações entre partes do texto são chamados de recursos coesivos. Esses recursos servem para nortear o leitor na observação de quais elementos devem ser conectados, são instruções a serem seguidas. Os recursos coesivos colocam em evidência as relações de sentido existentes entre os enunciados.

Dimensões do texto

  • Os tipos textuais abrangem algumas categorias que já conhecemos bem: narração, descrição, argumentação, exposição, injunção (nos textos de regras, por exemplo), dialogal (nas peças de teatro)

    Atualmente, usamos “predominantemente .....”

  • Os gêneros são como que famílias de textos que apresentam características comuns, como certas restrições de natureza temática, composicional e estilística (BAKHTIN, 1992). Mas as características são apenas comuns, não quer dizer que haja uma forma fixa para todos os gêneros: mesmo possuindo certas semelhanças, pode haver variação entre textos considerados do mesmo gênero.

    Os gêneros não são estáticos. Como são produtos de uma dada cultura, construídos ao longo da história da sociedade, suas características podem mudar dependendo do momento histórico em que são utilizados, do contexto em que estão inseridos, das relações que estabelecem com outros textos. Assim, numa dada época, um gênero pode ter determinadas características que não se perpetuam em outros tempos (BAKHTIN, 1992).

É preciso destacar que os textos pertencem também a domínios bastante específicos, ou fazem parte de esferas particulares da atividade humana (BAKHTIN, 1992): o domínio jornalístico, o publicitário, o pessoal, o comercial, o jurídico, o religioso. Os textos produzidos nesses diferentes domínios discursivos serão escritos também de modo diferente. Isto é, uma carta do domínio pessoal terá características distintas de uma carta do domínio comercial, mas ambas serão consideradas do gênero carta.

Alguns gêneros vão aparecer em mais de um domínio, como o caso do artigo, que tanto pode aparecer no domínio jornalístico quanto no acadêmico e científico, por exemplo. Outros vão aparecer apenas em um, como é o caso das ladainhas e também o dos salmos, que são próprios do domínio religioso.


Para concluir…

Para encerrar esse módulo, vamos entender nossa missão enquanto processo de alfabetização e letramento, o que precisamos esperar de nossos alunos:

Habilidades, atitudes e valores de um leitor competente

  • Interesse

  • Curiosidade

  • Capacidade de reflexão

  • Crítica

  • Busca constante pelo conhecimento

Agradecemos sua dedicação! ⭐

Nós agradecemos muito sua dedicação nessa seção sobre Alfabetização e Letramento. Esperamos que tenha sido valiosa para você professor. Nossa missão é estimular a busca por estratégias cada vez melhores para desenvolver o processo de recomposição com seus estudantes.

Até nosso próximo encontro! 👋